Régua, Douro, Portugal -Teixeira de Pascoaes

“Levanto-me da cama com gestos

semelhantes aos golpes de asa

de um corvo rápido.

 

Levanto-me

para saudar o dia.

 

Uá, uá!

 

Minha face afasta-me das trevas da noite

e olha para a aurora

que se abre.”

(5 poemas esquimós O Bebedor nocturno Poemas mudados para português – Herberto Helder Assirio e Alvim ) ”

“Mas o despertar não dissipa os sonhos; apenas lhes despe a aparência material.”

“O Marão sumiu-se, por encanto, num abismo, com as bordas remotas esfumadas: é a paisagem do Douro aparecendo, indefinida e triste, numa vasta indecisão nocturna; um vácuo enorme, onde cai a luz dos astros, como gotas de fogo numa boca monstruosa de sombra.”

“É o Douro, aflito num pesadelo, barrento e amarelo (…) apenas vejo as suas largas linhas espectralizadas, donde emana um vago e gélido terror, que é o próprio rio entremostrando ao nosso imaginar a escura lividez dos pegos mortos, síncopes de abismo em que gelam as águas torvas e medonhas.”

(Teixeira de Pascoaes – A Beira (Num relâmpago))

 

TRAFARIA, MAIO, 05, 2018

"Quando me dás do teu tempo

dás-me um pouco de mim:

o meu detém-se.

(...)

Não és tu 

a que vem dar-me a conhecer 

o seu multicolor novelo de tempo

enrolado lá no fundo da alma,

que se vai desenrolando

ante os meus olhos, (...) "

(excerpts from Alberto Pimenta poem: Antelogium)